A missão dos meios de comunicação (I)
René Ariel Dotti
O fórum pela qualidade do jornalismo de Cascavel
No dia 27 de agosto estive na UNIVEL – União Educacional de Cascavel – para proferir palestra sobre a liberdade de informação jornalística, com os seguintes destaques: a) o vazio decorrente da revogação da Lei nº 5.250/67 (Lei de Imprensa); b) o jornalismo investigativo; c) o papel do jornalista na sociedade. O evento foi uma promoção do Fórum pela Qualidade do Jornalismo em Cascavel, entidade informal e atípica criada em agosto de 2006, reunindo a direção do jornal Hoje e a coordenação dos cursos de Jornalismo de três instituições da progressista cidade do oeste paranaense: univel, Universidade Paranaense (unipar) e Faculdade Assis Gurgacz (fag). Para tornar claros e eficientes os objetivos da associação, aprovou-se uma Carta de Princípios que recebeu apoio e adesão institucional de mais alguns órgãos, como o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná (sindijor), a Associação dos Jornalistas de Cascavel (AJC), a Rede Paranaense de Comunicação (rpc), a Rádio Verdes Campos e os jornais O Paraná e Impacto Acadêmico.
Seguiu-se, então, a etapa de divulgação do Fórum, com palestras de profissionais dos meios de comunicação, de prestígio nacional. Em maio e junho de 2006, estiveram em Cascavel os jornalistas Carlos Alberto di Franco (O Estado de São Paulo) e Marcelo Beraba (Folha de São Paulo). Eles abordaram assuntos de grande relevo e atualidade: legislação eleitoral, crimes de imprensa e edição de jornais universitários. Somente nesses eventos, o público para cada uma das palestras foi superior a 500 pessoas.
Os integrantes do Fórum pela Qualidade do Jornalismo em Cascavel mantêm reuniões quinzenais na sede da Associação dos Jornalistas, para deliberar sobre eventos futuros e estratégias de ação visando consolidar o movimento, que tem duas vertentes principais: a) estimular a boa formação acadêmica nas áreas de Direito e Jornalismo; b) interagir com órgãos representativos da classe de jornalistas para a elaboração de um código mínimo de ética. No ano passado, o Fórum analisou as dificuldades no mercado de trabalho para os formandos do curso de jornalismo diante da decisão do Supremo Tribunal Federal, que revogou a exigência do diploma para o exercício profissional.
O Fórum tem uma característica peculiar. Não há inscrição do ato constitutivo no registro respectivo para proporcionar-lhe existência legal. Mas isso não é obstáculo para o reconhecimento, por parte das universidades, da classe política, das autoridades, do público e dos veículos de comunicação social, desse trabalho pioneiro que está sendo realizado com muito entusiasmo, muita paixão e muita esperança. (Segue)
* artigo publicado no jornal "O Estado do Paraná", caderno "Direito
e Justiça" de 06.09.2009.