A construção do Centro Judiciário de Curitiba

René Ariel Dotti

A Constituição assegura a todos o acesso ao Judiciário mas ele se torna materialmente efetivo quando os serviços e os espaços físicos são adequados para os profissionais que atuam (juízes, advogados, membros do Ministério Público, serventuários da Justiça) e também para os cidadãos que têm interesses ou direitos a reivindicar.

Há muitos anos o fórum de Curitiba se caracteriza pela falta de uma estrutura física que possa aglutinar os mais diversos setores de atendimento ao público. As varas cíveis localizadas em edifício distante do reservado para as varas criminais; a falta de conforto mínimo em todas as serventias; o congestionamento de processos ao lado de salas e gabinetes precários; as intoleráveis acomodações (?) das varas de família. Outras varas de recente criação também funcionam precariamente em locais distantes umas das outras quando o ideal seria a proximidade física e a melhoria das instalações.

Surge agora a excelente notícia: a Assembléia Legislativa aprovou, em primeira discussão na sessão da última terça-feira, o crédito de 44 milhões de reais para o início das obras do Centro Judiciário de Curitiba. A edificação ocupará a área que abrigava a Prisão Provisória de Curitiba. As atividades do foro cível, criminal e dos juizados especiais terão prédios próprios. Os recursos financeiros para esse relevante investimento foram estimados em 230 milhões a serem cobertos entre o Executivo e o Judiciário.

A administração ao Poder Judiciário paranaense, tendo à frente os Desembargadores José Antônio Vidal Coelho, Antonio Lopes de Noronha e Leonardo Pacheco Lustosa, está cumprindo promessa de administrações antigas e viabilizando a satisfação de interesses públicos relevantes. É importante destacar que o Centro Judiciário de Curitiba irá proporcionar uma economia mensal fixada em 370 mil reais que correspondem ao pagamento de aluguel dos 16 prédios ocupados.

Uma revolução em marcha é a frase que sintetiza os trabalhos da atual administração do Judiciário paranaense com a estatização de serventias, o início da construção do fórum da capital, a nomeação de novos magistrados, os projetos de vantagens financeiras para os servidores, além de outras iniciativas marcantes.

Ao constatar o entusiasmo e o empenho do Desembargador Noronha, representando o Tribunal junto ao governo do Estado e a Assembléia Legislativa para essa revolução em marcha, eu lembro o pensamento de Victor Hugo (1802-1885): "Quem, a cada manhã, planeja as atividades do dia e segue esse plano usa um fio que vai guiá-lo através do labirinto de uma vida bastante atarefada. A organização disciplinada do tempo é como um raio de luz que se projeta em todos os seus compromissos. Mas onde não há um plano, onde a disposição de tempo fica simplesmente entregue ao acaso dos acontecimentos, logo reinará o caos".


 * artigo publicado no jornal "O Estado do Paraná", caderno "Direito e Justiça" de 30.11.2008.