ASSOCIAÇÃO PARANAENSE DO MINISTÉRIO PÚBLICO *

    Em momento histórico preocupante quanto à multiplicação de graves problemas comunitários, a exemplo das áreas de saúde, educação, emprego, segurança, justiça e outros bens essenciais, é confortante testemunhar o esforço de associações comprometidas em reverter os quadros de pessimismo e anomia. E de transformar o cotidiano das tarefas em modelos de conduta e semeadura de esperanças. Um universo de trabalhadores nos mais diversos ramos de atividade humana compõe cenários específicos para avaliar e enfrentar os desafios próprios às suas corporações e, com isso, lutar para a melhor qualidade de vida moral, espiritual e material dos seres humanos.

    Essas reflexões vêm à mente a propósito da cerimônia de posse da Promotora de Justiça Dra. Maria Tereza Uille Gomes ao honroso cargo de presidente da Associação Paranaense do Ministério Público, a cinqüentenária organização que tem entre seus objetivos estatutários a luta pela completa independência dos membros da permanente instituição, essencial para a função jurisdicional do Estado, a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis, assim como o declara a nossa lei fundamental.

    O discurso com o qual a nova presidente saudou fraternalmente os colegas empossados e os membros da gestão anterior, liderados pelo Promotor de Justiça Ivonei Sfogia, revelou sensibilidade, visão administrativa e projetos do maior interesse social. A declaração de intenções salientou a necessidade de se exercer o direito à liberdade pelos membros do Ministério Público para cumprir as obrigações funcionais a salvo de quaisquer ingerências desfiguradoras dos princípios e dos valores da dignidade humana e do bem comum. A proposta de coalizão entre os gestores de ontem e os administradores de hoje para um labor conjunto de esforços e de esperanças foi um dos pontos altos do discurso. Um líder jamais promove ou incita divisões internas no grupo que deve conduzir. Ele sabe descobrir vocações e estimular solidariedade.

    Na cerimônia encontrei jovens e antigos trabalhadores forenses. Eles me devolveram a lembrança dos verdes anos de estágio no Ministério Público.

Com inquietações e dúvidas. Mas repletos de esperança.

* artigo publicado no jornal "O Estado do Paraná", caderno "Direito e Justiça" de 31.07.2005.